sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Ninar taciturno de Astaroth

Eu queria poder enrolar a Terra feito um pião
pra puxar o barbante de rotação e translação
em qualquer sentido que eu não puder.
E, só por hoje, ser amanhã e ontem ao mesmo tempo...

Porque de tempos em tempos,
Eu quero todo o tempo do mundo
e todo mundo dos tempos...
Só me falta tempo, no fundo
Só me falta um mundo no tempo.

Mas todo tempo é irrelevante
E as falésias são só praias ao vento
Pois que tanto a montante quanto a jusante,
Tudo é irrelevante no tempo...

Já eu, eu ouço canções de tempo composto, de largo andamento
Mas o prestíssimo se impõe a todo instante
Já que não posso estar sem ser por qualquer momento,
Eu queria mesmo era a resignação de um elefante.




sábado, 19 de outubro de 2013

Cirandando

Eu já quis nunca estar equivocado
Preenchendo as prateleiras dos instantes 
Com rigor enciclopédico empoeirado
Sem lacunas para nada que antes

parecia puberemente adequado
se aconchegasse em contos inconstantes
de um irremediavelmente apaixonado
pelo fogo de todos os amantes

E, vivendo seus versos lancinantes
Estaria e não estaria  ao seu lado.
É, por fim, isto é estar equivocado:

Bagunço as prateleiras exaltado
Escolhi o irremediável dos instantes
Com o oscilar dos nossos corpos amantes!







domingo, 15 de janeiro de 2012

Encontros

De alguma forma eu ainda aguardo

assim, ansiosamente despreocupado,

assim, meticulosamente despreparado,

a coincidência casual que formalmente planejamos.


Mas os pensamentos ao meu redor inundam minha cabeça

De modo a não poder ouvir o que eu mesmo me ordeno

É quando as cabeças, que antes se confundiam com ônibus inteiros

Formam um engarrafamento das minhas ações que,

atropeladas por si mesmas, nunca conseguem atravessar...


E eu continuo aguardando, sem esperar,

Alguém que ouça meus pedidos de socorro sussurrados a altos brados

ao pé do ouvido, mas com quilômetros de distância.

E que me estenda a mão para que eu não a segure.

Talvez a toque tenramente, escorregando...

por entre esses dedos macios e contundentes.


De alguma forma, eu ainda sonho (sem ilusão alguma)

assim, oníricamente desperto

assim, ridiculamente sisudo

Como quem vai saindo para dentro de si mesmo


Sim, eu conheço novamente:

o som, o tom, a cor, a forma, a calma

desesperadamente, enfim, eu sou!

domingo, 12 de setembro de 2010

Insomnia

Algumas palavras débeis
que nao são nenhum sinal localizatorio
E também nem pretendem o ser
Afinal já não está claro?
e eu estou aqui, assim, inexoravelmente!

Ao inferno todos!
Com os seus sinais de localizações débeis
e nem me venham com palavras tomográficas
Já não achei o que procurava com elas, não notaram?
Já está mais do que claro, eu aqui, inexoravelmente!

Mas eis que irei, por mim mesmo
sem qualquer palavra sequer,
Como um bloodhound, rastrearei!
Qualquer sinal, pois já está claro
que inexoravelmente não mais repousarei...

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Via expressa

Lentamente, como que valsando com ele
Tangem-se à perfeição de uma reta
(uma tênue linha)
Já na forma de praticamente um só.

O Gélido, o Obscuro:
agora arde nessa nova luminosidade
E o Incêndio porfim,
encontra alguma calma em si.

Os dois são o Sóbrio
o funcionário público bem-sucedido
as manhãs de domingo
(Ah, as preguiçosas manhas de domingo)
São o English Afternoon Tea das 17 as 16
O Yves Saint Lauren que elegantemente combina-se com o Levi's
São os relutantes olhares adolescentes de soslaio por todos Shopping Centers
Os olhos lânguidos e sonolentos dos finais de festa de formaturas
São o arroz doce, a salada de frutas
São os sutis erros de concordância nas primeiras aulas de redação
São o melhor do pior e o pior do melhor
Enfim, são Eu!

(Olho pelo retrovisor de meu carro semi-usado, e não posso me ver... Mas isso foi antes de eu me ultrapassar!)

sexta-feira, 12 de junho de 2009

São Valentin

Minhas palpitações recolhidas
e reunidas todas em uma só trouxinha de retalhos
os quais incessantemente renovam-se para além de onde se perde o olhar.

Lá, onde cada palavra dita carrega mil palavras caladas
e confundidas todas em um só significado,
dito, ouvido e calado.

Tudo que está antes dele não basta
E tudo que vai além é estúpido,
Pois ele está para além de onde se perde o olhar

Lá não se respira
Lá se sufoca o suspiro
Mas Lá o suspiro sufocado não tem cabimento

Por que Lá só há um significado
E você para lhe fazer companhia
Para além de onde se perde o olhar

E te vejo fazer-lhe cócegas
E lhe arrancar um riso sobre o próprio riso
É quando o suspiro não é sufocado

Mas nem as cócegas, nem o riso,
nem o suspiro tem cabimento
Para além de onde se perde o olhar só há um significado(e você para lhe fazer companhia)

E por aqui, eu brinco com seus retalhos
Cuidando para que não me escapem as palpitações
Compreendendo só um significado, lá de onde o olhar se perde

E se elas escaparem, que seja!
É nesses dias que posso sentir meu coração
lá de onde o olhar se perde

Por vezes, eu confesso
Deixo uma ou outra escapar, assim, deliberadamente,
já sabendo para onde ela vai fugir

E vez ou outra bate um medo delas se acabarem
Mas é tão fácil encontrar as fujonas
Todas convergem para além de onde se perde o olhar

Nos outros dias me conformo sem meu coração.
Quando nada tem cabimento
a menos que esteja para além de onde se perde o olhar

E nesse horizonte de retalhos
Mesmo se eu não puder sentir meu coração todos os dias
Eu sei que te sentirei mesmo sem meu coração

domingo, 1 de março de 2009

Impromptus: De como quando se duvida...

Não existem mais Histórias para se contar
Não existem estórias que não foram contadas...
Tudo é só uma variação sobre o mesmo tema
Como diriam de maneira singular
cada um dentre 500 maestros espalhados por aí

A Dor de cada um doravante denominada "dor"
O Amor de cada um doravante denominado "amor"
E outra estória já contada
das mentiras que,
graduadas em curso superior,
tornam-se, por fim, verdades legítimas.

A mesma coisa, a mesma dor, o mesmo amor
A obcessão do universo nos universalizou
E a analíse combinatória quer matar a poesia
Será que alguém ainda acredita nas estórias?

Mas se você quer ir, vá em paz
Que por aqui a rotina me acalma os gritos
que até então pertenceriam só aos travesseiros
(mas prometo reservar um desses a você)

Eu vou cuidando de tudo por aqui... de tudo por aqui...
Por aí deve ser diferente, não é mesmo?
Eu só posso cuidar de tudo por aqui, de tudo por aqui...
Será que alguém ainda escreve estórias?